Quando um empresário aparece na fábrica com sua nova BMW, pouco importa se ele inventou um novo e revolucionário sintetizador de alimentos que acabará com a fome no mundo, basta que o faxineiro vá de ônibus para casa que alguns estudantes e membros da esquerda não tardarão em chamá-lo de explorador, e usarão o carro de R$ 200.000,00 e o faxineiro de ônibus como prova cabal da exploração capitalista.
Mas o que ocorre quando a Ministra da Casa Civil de um país pobre, possível candidata a presidente da república, cujo salário mensal bruto não ultrapassa os R$ 10.000,00, com nenhuma passagem por cargos ou empregos onde a alta remuneração é justificada e tem em seu discurso, ao menos histórico, uma ampla condenação a esse tipo de consumo, estilo Imperialista, aparece nas ruas de Brasília com uma bolsa de USD 6.000,00!? Isso mesmo, seis mil dólares, mais que sua remuneração mensal bruta. Detalhe interessante, nossa Ministra, caso não tenha feito mau uso de seu cargo para conseguir a bolsa, entrou na fila de espera do fabricante a cinco anos atrás.
Bem, caso não tenha aproveitado o cargo, antes de ser Ministra nossa orgulhosa comunista já freqüentava a alta roda do capitalismo comedor de criancinhas mundial.
A revelia de minha ironia, como contribuinte e cidadão, gostaria que duas perguntas me fossem respondidas pela Ministra: como ela pagou pela bolsa, que custa mais de 80 bolsas famílias e mais que seu salário bruto? O cargo público ajudou na fila ou na aquisição do produto?
Obs: A Ministra foi flagrada pelo Correio Brasiliense, que se limitou em destacar o valor e bom gosta da Ministra, em mostra cabal de jornalismo sério e responsável (Matéria divulgada em pequena nota no dia 08/07/2009).
Abs
José Carneiro
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